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Terça-feira, Abril 03, 2007
onde andarás
caetano veloso e ferreira gullar
onde andarás nesta tarde vazia
tão clara e sem fim?
enquanto o mar bate azul em ipanema
em que bar, em que cinema
te esqueces de mim?
enquanto o mar bate azul em ipanema
em que bar, em que cinema
te esqueces, eu sei
meu endereço apagaste do teu coração
a cigarra do apartamento
o chão de cimento
existem em vão
não serve pra nada a escada, o elevador
já não serve para nada a janela a
cortina amarela, perdi meu amor
e é por isso que eu saio pra rua
sem saber pra quê
na esperança, talvez, de que o acaso
por mero descaso
me leve a você
na esperança, tavez, de que o acaso
por mero descaso
me leve
eu sei
8:14 PM
Sábado, Março 17, 2007
Um dos grandes baratos de morar sozinha é que eu vou conhecendo um novo lado meu, que é ser eu quando não tem ninguém olhando.
Enfim, cada vez que eu penso em escrever alguma coisa aqui, eu escrevo uma linha, penso que isso não interessa a ninguém e desisto. Estou desistindo agora. Já estou escrevendo num caderninho que fica na cabeceira. Às vezes eu acordo no meio da madrugada e escrevo. De novo, não interessa a ninguém isso.
Quem quiser saber da minha vida, que me ligue.
[Oxi, tô nervosa, não... tô aqui ouvindo Billie Holiday, deixando o ventinho entrar da rua, suspirando feliz.]
2:40 AM
Domingo, Março 04, 2007
ócolish. ócolish. cariócolish.
se eu tivesse vergonha na cara, escreveria sobre os seguintes temas:
- minha nova vida burguesa no rio de janeiro;
- os pratos que eu tenho inventado;
- meu novo e efêmero emprego dos sonhos;
- joni mitchell, suas músicas e suas capas de discos pintadas por ela mesma;
- a livraria da travessa;
- o pôr-do-sol no arpoador (aqui do lado);
- o calçadão e seus freqüentadores.
não percam. em algum momento de maior sobriedade (beber sozinho = errado) e disponibilidade.
12:49 AM
Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007
as pastorinhas
joão de barro e noel rosa
a estrela d'alva
no céu desponta
e a lua anda tonta
com tamanho esplendor
e as pastorinhas
pra consolo da lua
vão cantando na rua
lindos versos de amor
linda pastora
morena da cor de madalena
tu não tens pena
de mim
que vivo tonto com o teu olhar
linda criança
tu não me sais da lembrança
meu coração não se cansa
de sempre e sempre te amar
. . .
o melhor carnaval da minha vida.
1:21 PM
Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007
me dei de presente.
adorei.
4:06 PM
Sábado, Fevereiro 03, 2007
Mudanças estruturais nos links aí do lado. Muitas novidades. Fucem.
4:04 PM
Terça-feira, Janeiro 30, 2007
Acho que uma vez eu já cheguei a contar aqui que quando eu era pequena eu tentava me imaginar aos 20 e poucos anos, quais amigos teriam se mantido, como seria meu trabalho, como eu me vestiria, tudo. Na verdade, a minha idéia de mim aos 20 e poucos era bem diferente. Eu achava que nessa idade eu já estaria morando sozinha, ou com um namorado, conseguindo me sustentar com o meu trabalho, estável. Ah, e também sempre me imaginava bem magra e com cabelos muito compridos. Quando os 20 anos foram se aproximando, e eu fui vendo que as coisas não estavam saindo bem como eu tinha pensado, no começo eu fiquei preocupada. Imaginava a Paulinha de 6, 7 anos me espiando hoje, com ares de decepção, com talvez uma ou outra surpresa positiva.
Só hoje eu me peguei pensando em outra Paulinha, a dona Paulinha, lá com seus 80 e tantos anos, olhando pra trás. Pensando o que ela ia achar de mim hoje. É incrível só pensar nisso agora, porque no ano passado eu refleti muito sobre a velhice. Fiquei intrigada com o que fazia uma pessoa chegar aos 80 anos saudável, rindo à toa, muito lúcida, e outra, com a mesma idade, quase não conseguir falar, com vergonha das rugas, da gagueira, presa nos tabus e preconceitos. Pensei muito nisso por causa da Hildegard [Rosenthal, a fotógrafa sobre quem eu pesquisei], e a vitalidade com que ela contava sua vida, por causa da serelepe dona Rosinha [a senhorinha sobrevivente de Auschwitz, que entrevistei pruma matéria], e também pelo contato com as velhinhas freqüentadoras de bingos [por causa do documentário]. E um dia, conversando com a minha professora de alemão -- ela, filha da Hilde; ela, que está começando a fazer teatro, entre tantas coisas -- sobre essas reflexões, ela me falou: "Com certeza a velhice é um reflexo da sua vida; não só as condições em que você viveu, mas a maneira como você encarou as coisas. Eu acho que você vai ser uma velhinha bem lúcida e animada, Paula". Eu quase ri na cara dela.
. . .
Eu admiro muito essas velhinhas na hidroginástica, essas que vão em grupinhos ao show do Cauby, essas que saem pros bailes da saudade. Mas eu tendo a crer que eu não vou ser uma delas. Que, do jeito que as coisas vão, se eu chegar à terceira idade, eu vou ser dessas velhinhas rabugentas maldizentes da vida. Claro, essas também têm seu charme, mas não é nem de longe uma boa perspectiva de futuro.
Tenho muita dificuldade em acreditar em mudanças [principalmente nas minhas], mas eu sei que eu não quero ser essa velhinha no futuro. E eu não quero continuar sendo essa velhinha hoje.
1:37 AM
Sábado, Janeiro 20, 2007
O presente mais legal de todos
Essa aí é a minha nova companheira de quarto, que vai dividir a cabeceira com o livro de cabeceira e a garrafinha d'água. O presente mais legal dos últimos tempos! Ela é de prasco azul-calcinha, ela tem alça, ela é portátil, ela tem rádio AM, FM e ondas médias, e ela toca LPs... ela é a Sonata que o papai me deu e eu amei. Preparem seus disquinhos, brotos. Precisamos agendar o bailinho.
3:07 AM
Segunda-feira, Janeiro 08, 2007
Meu 2006 só acabou agora, e o ritual de encerramento foi um cheese-mignon-tártaro. Sabe, todas as calças pelo menos um pouco apertadas. Não é o que eu quero pra mim. Não fiz muitos planos. Primeiro, porque acabo não cumprindo, e me deprimo. Segundo, porque é um daqueles anos em que a realização de uma coisa depende de outra, que depende de outra, e de outra... lá pra março eu vou ter uma idéia (ou não) de como vai ser o resto do ano. Se eu vou me formar em julho ou não, por exemplo. Se eu vou ou não precisar sair de casa. Se eu quero fazer uma segunda graduação ou uma pós. Etc.
Apesar do quase-breu, tenho alguns planos para o entorno. Quero voltar a ser saudável, o que implica comer melhor e praticar um mínimo de exercício. Para ler, além dos muitos livros no aguardo, escolhi uma revista de fruição intelectual e outra de fruição fútil. Ah, e o jornal que vai ser assinado a partir de março também. (O ano já começou? Ah).
E é isso. Nem sei porque eu contei essas coisas. Vocês que vêm aqui já sabiam de tudo isso. Esse blog é um tédio.
1:52 AM
Sexta-feira, Dezembro 22, 2006
diva
cesar costa filho e aldir blanc
diva
trouxeste a vida e a vida
te levou
deixando em vão
o devaneio
triste dia
chovia, e diva
te dividias
devagar: mulher e nuvem
diva
te devo a vida, e a vida
deve a mim
a tua voz
que me implorava amor
eu ouvia
te dava, e diva
não duvidavas
que eras dívida
e dádiva
diva
a vida é dádiva, dívida
é devaneio
a vida me deve diva, ô
quero diva de novo
num dia de chuva
diva
sei que a vida é dividir
e duvidar
diva, divina, nuvem
dividida
ô, diva:
divina, nuvem, dividida
. . .
César Costa Filho é descoberta de 2006. Papai encasquetou com uma música dele (não era essa, Diva), só lembrava de um trechinho. Não se conformava que não dava pra achar na internet. Mas dar dá, sempre dá, e eu dei um jeito e achei. A música era Anastácio -- Samba-enredo para um sambista morto, bacana também. Só que até chegar nela, baixei tudo quanto é música do César, virei uma especialista. A pérola mesmo é essa, Diva, com essas aliterações todas, e a chuva, e a nuvem, ai.
E essa tarde chuvosa, linda, cheiro-de-terra. Vou fingir que hoje é ontem e desenhar as pernas inteiras de caneta bic, como eu fazia até poucos anos atrás, quando esqueci que era gostoso. E depois tomar banho, e lavar com bucha, e fazer espuma azul.
4:30 PM
Segunda-feira, Dezembro 18, 2006
"-- Imagine que você tenha vivido num mundo em que não existissem espelhos. Você teria sonhado com seu rosto, o teria imaginado como uma espécie de reflexo exterior daquilo que se encontra em você. E depois, suponha que com quarenta anos tenham lhe estendido um espelho. Imagine seu espanto. Teria visto um rosto totalmente estranho. E compreenderia nitidamente aquilo que recusa a admitir: seu rosto não é você.
(...)
-- Nosso nome, também, vem por acaso, prosseguiu ela, sem que saibamos quando apareceu no mundo, nem como um nosso desconhecido antepassado o conseguiu. Não compreendemos absolutamente este nome, não conhecemos sua história, e mesmo assim o usamos com grande fidelidade, nos confundimos com ele, gostamos dele, somos ridiculamente orgulhosos dele, como se o tivéssemos inventado num lance de genial inspiração. Quanto ao rosto, é a mesma coisa. Lembro-me, isso deve ter acontecido no fim de minha infância: de tanto me olhar no espelho, acabei chegando à conclusão de que o que eu via era eu. Tenho uma vaga lembrança dessa época, mas sei que descobrir meu eu deve ter sido inebriante. Mais tarde, porém, chega o momento em que nos olhamos no espelho e dizemos: será que sou eu mesmo? E por quê? Por que devo ser solidário com isso aí? Que me importa esse rosto? E a partir daí tudo começa a desmontar. Tudo começa a desmontar."
Agnes para Paulo. A Imortalidade. Milan Kundera.
. . .
Eu digo que ele adivinha o que eu penso, as conversas, tudo. Mas essa parte aí é pra você.
2:07 PM
Sexta-feira, Dezembro 15, 2006
[post pensado enquanto eu nadava, há exatamente uma semana]
desde que eu resolvi nadar porque eu resolvi nadar, nadar virou um dos momentos mais prazerosos da semana. ninguém pra me mandar fazer nada, eu faço o que eu quero, quantas vezes eu quero, no ritmo que eu quero, e sem pensar em nada. nas duas primeiras vezes, tentei contar as chegadas, depois resolvi chutar o balde, e tem sido bem melhor. nado entre 45 minutos e uma hora e meia, toda sexta no fim da tarde, começo da noite. mas o mais especial, o mais especial mesmo, é que eu nado sem lentes de contato. aposentei as lentes desde março (e já estou pensando em comprar pelo menos uma caixinha, mas isso é outra história), e não dá pra nadar com os óculos de grau por baixo dos de natação. fazer um óculos de natação de grau é algo além das minhas expectativas, e, além disso, é um prazer.
eu e minha miopia, na água. nem escutar direito eu escuto, nem a rádio pop me incomoda, nada me incomoda, nada. a água macia, crawl, peito e costas, sem borboleta que eu não gosto. e quando eu começo a ficar cansada é que fica mais gostoso. e vai ficando tarde, e as pessoas vão saindo, e eu vou fazendo os gestos cada vez mais amplos, sem me preocupar se tá certo ou se não tá. com os dedos das mãos e dos pés abertos, os braços espalhados, tudo errado, tudo gostoso, só gostoso. e vai quando vai dando a hora que eu planejei sair, eu faço pelo menos umas três chegadas "essa é a última". mas aí eu decido terminar com crawl. só mais uma de peito pra relaxar. uma de costas, vai. ok, só mais uma de crawl e eu saio. e eu saio, e, deus, como eu sou pesada fora da água. os gestos perdem a graça. falta resistência, no ar. e vem o chuveiro com uma água dura e pesada, não macia como a da piscina. e depois a corridinha pra casa, num ar tão sem resistência, e tão ligada ao chão que eu estou. agora, já enxergando.
5:35 PM
Terça-feira, Dezembro 12, 2006
mais aqui.
4:02 PM
Segunda-feira, Novembro 27, 2006
Não sei pra quê esse blog tem servido -- além de guardar meus links preferidos, me animar a trocar o banner de vez em quando. Não sei pra quê blogs servem, mas eu gosto de ler os dos outros. E entro todos os dias, quase na mesma ordem, nos mesmos. E gosto de quem publica todo dia, mais de uma vez por dia, de preferência. Mas eu não sou assim. Já fui, mas não sou mais. Começou que eu queria desabafar, mas não queria que lessem. Depois me acostumei a não escrever os problemas, a não procurar metáforas para escondê-los. Encontrei quem gostasse de ouvir, e me acostumei à minha própria voz explicando-os. Seria isso, então, um blog? Um repositório de problemas? (...)
Aí vem a outra parte do problema. Se eu fosse escrever o que tem passado pela minha cabeça ultimamente, escreveria só perguntas, ou só conclusões precipitadas, porque está tudo assim, em processo de precipitação, mas só tem uns grãozinhos no fundo do béquer. Ôxi. (...)
Quero encontros, e papos (furados ou não), e cerveja, e carinho. Nunca é demais, tá?
11:18 PM
Domingo, Novembro 19, 2006
O novo banner é todo retirado de pedacinhos de um único quadro do Hundertwasser, esse aqui. Eu já devo ter falado qualquer coisa do Hundertwasser aqui. É um artista plástico e arquiteto austríaco que eu conheci por acaso em Viena, quando trombei com a Kunsthaus, toda projetada por ele.
4:37 PM
Sexta-feira, Novembro 17, 2006
Se alguém diz que sua vida é completa e você se ofende.
Se a completude depende de uma coisa, a coisa chega e a completude não chega.
Se a sua felicidade é projeto pessoal de quem você gosta, e nem assim você se coça.
Se a rosa nasceu, se te mostraram ói que lindo. Se você deveria se chamar Carolina.
4:08 PM
Sábado, Novembro 11, 2006
... as a bird.
Hoje eu acordei feliz. Essa montanha absurda em cima da minha escrivaninha com xerox misturados, livros, canetas, grifa-textos, pastas etc já ficaram com cara de passado. E eu acordei pela manhã, e não depois das 16h. E o dia está lindo lá fora, ainda meio fresco. Até pretendo dar mais um cochilo, com um kunderinha antes, na maior irresponsabilidade, mas já abri a veneziana, o vidro, tudo. Preciso me acostumar à luz natural de novo, deus do céu, que ontem eu tive a minha primeira experiência fotofóbica da vida. E quando fui abrir a veneziana lá fora, ralei o calcanhar num paralelepípedo e achei graça. Ah, um ralado. Tem coisa mais de quem vive fora do quarto? Celebro esse ralado à nova vida fora do quarto!
9:18 AM
Domingo, Novembro 05, 2006
"Minhas grandes observações no mundo acadêmico" ou "Por que eu nunca vou ser respeitada nas discussões acadêmicas"
Piadinhas de duplo sentido não são muito do meu feitio, eu não tenho timing suficiente pra isso. Mas, no que tange à vida acadêmica, algumas observações de senso crítico duvidoso simplesmente caem no meu colo -- de preferência, nos piores momentos possíveis. Abaixo, uma breve coletânea das minhas gafes acadêmicas.
1. Primeiro ano, aula de Ciências da Linguagem (professora Mayra, pra quem a conhecer). Ela começa a fazer algum comentário sobre cotas para negros na universidade. Eu cutuco o colega do lado (não lembro mais quem era) e faço uma piadinha: "Eu acho que devia ter cota pra orientais, pra eles não pegarem todas as vagas". A professora nota e pede pra eu fazer em voz alta o comentário. Eu faço, explico que é piada, mas ela leva a sério. E começa a falar de um estudo xis sobre o rendimento dos estudantes coreanos em tom acusatório, ai ai ai. Claro. Eu, a anti-nipônica.
2. De novo, com a Mayra. Pior: eu estava dando um seminário. Era algum texto da dupla Deleuze e Guattari, nem lembro mais também. Só que, na hora de falar, eu dei uma risadinha, e ela quis saber por quê. É que tínhamos uma piada interna na minha sala, de que os dois eram gêmeos siameses, porque havia muitos livros dos dois juntos, e não conhecíamos nenhum de um só da dupla. Contribuição super pertinente ao seminário, claro.
3. Aula de telejornalismo. O professor (Santoro) comenta que as emissoras têm um banco de imagens de cobertura, para urgências, como multidões andando nas calçadas. Eu falo, rindo: "Ah, mas eles têm que fazer sempre essas imagens, né?". E ele, interessado pelo meu provável (pfff) comentário técnico, me pergunta por que. E eu: "Ah, porque senão, vai aparecer umas imagens meio em tons pastéis, de umas mulheres com cabelos enormes à la anos 80, calças com a cintura no pescoço, coisas assim".
4. Agora, um momento de reflexão solitária, enquanto eu escrevo a minha iniciação científica. Um dos historiadores que eu estou usando se chama Lionel Richard. Pois é, quase homônico do já crasco Lionel Richie, que gravou "Endless Love" com a Diana Ross. Acontece que, cada vez que eu preciso fazer o rodapé de uma citação dele, e escrevo "RICHARD, Lionel", eu rio sozinha, e imagino ele lá: "In your eyessssss".
5:15 AM
Terça-feira, Outubro 31, 2006
i wish you bluebirds in the spring, to give your heart a song to sing
and then a kiss, but more than this, i wish you love
and if you like lemonade to cool you in some lazy glade,
i wish you health, and more than wealth, i wish you love.
Irritada e inoperante o dia inteiro. Aceito o convite do cinema, documentário sério, nada pra mudar o humor. Enquanto eu guardo as coisas na bolsa, o winamp escolhe "I wish you love", com a Rachael Yamagata. E ele vem, com aquele cheirinho (a glândula, a glândula). E deixo ele me levar, e ele tá conduzindo tão bem, e não só o tango. E é quase mágico. Dane-se todo o resto.
i wish you shelter from the storm, a cozy fire to keep you warm,
but most of all, when snowflakes fall, i wish you love.
6:40 AM
Segunda-feira, Outubro 30, 2006
Será que as pessoas mudam de verdade?
1:09 AM
Quinta-feira, Outubro 26, 2006
ouro de tolo
raul seixas
eu devia estar contente
porque eu tenho um emprego
sou um dito cidadão respeitável
e ganho quatro mil cruzeiros por mês
eu devia agradecer ao senhor
por ter tido sucesso na vida como artista
eu devia estar feliz
porque consegui comprar um corcel 73
eu devia estar alegre e satisfeito
por morar em ipanema
depois de ter passado fome por dois anos
aqui na cidade maravilhosa
ah! eu devia estar sorrindo e orgulhoso
por ter finalmente vencido na vida
mas eu acho isso uma grande piada
e um tanto quanto perigosa
eu devia estar contente
por ter conseguido tudo o que eu quis
mas confesso abestalhado
que eu estou decepcionado
porque foi tão fácil conseguir
e agora eu me pergunto: e daí?
eu tenho uma porção de coisas grandes
pra conquistar, e eu não posso ficar aí parado
eu devia estar feliz pelo senhor
ter me concedido o domingo
pra ir com a família ao jardim zoológico
dar pipoca aos macacos
ah! mas que sujeito chato sou eu
que não acha nada engraçado
macaco, praia, carro, jornal, tobogã
eu acho tudo isso um saco
é você olhar no espelho
se sentir um grandessíssimo idiota
saber que é humano, ridículo, limitado
que só usa dez por cento de sua cabeça animal
e você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial
que está contribuindo com sua parte
para o nosso belo quadro social
eu que não me sento
no trono de um apartamento
com a boca escancarada cheia de dentes
esperando a morte chegar
porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais
no cume calmo do meu olho que vê
assenta a sombra sonora de um disco voador
6:50 PM
Domingo, Outubro 22, 2006
Coisas que eu vou fazer quando acabar de escrever:
1. Parar com esse "estado de exceção" que eu decretei e me libera pra comer quantos pães de queijo e chocolates eu quiser por dia;
2. Alugar todos os filmes que eu pensei em alugar e não tinha tempo;
3. Continuar com a ginástica, que tem me dado muito ânimo e me impedido de engordar alucinadamente pelos efeitos do "estado de exceção";
4. Voltar pro espanhol e pro francês pelo menos. Siricoticos recentes têm me dado vontade de voltar com afinco pro alemão, mas isso é assunto pros consultores;
5. Tirar o TCC do limbo;
6. Tratar melhor as pessoas / rever minhas implicâncias;
7. Voltar a dormir de noite e ficar acordada de dia (isso inclui atividades ao sol);
8. Ir ao cinema, ler ficção;
9. Arrumar o meu quarto (a bagunça também está dentro do "estado de exceção");
10. Cortar um pouco esse cabelo ("... largar essa bebedeira de mão" -- piada interna, não se assustem: eu não virei alcóolatra).
Esse post continua em outros, a partir do 11.
10:38 PM
Quarta-feira, Outubro 18, 2006
In the Wee Small Hours of the Morning
Words & Music by David Mann & Bob Hilliard
Recorded by Frank Sinatra, 1954
In the wee small hours of the morning
While the whole wide world is fast asleep
You lie awake and think about the girl
And never ever think of counting sheep
When your lonely heart has learned its lesson
You'd be hers if only she would call
In the wee small hours of the morning
That's the time you miss her most of all.
When the sun is high in the afternoon sky,
You can always find something to do;
But from dusk til dawn, as the clock ticks on,
Something happens to you.
7:33 AM
Terça-feira, Outubro 17, 2006
Eu sempre conto as novidades que eu fuço na internet aqui, e dessa vez tem uma muito especial. O Ivan (sim, meu respectivo) fez um blog! Se chama 8 frases e a idéia, como o nome diz, é contar uma história em apenas 8 tópicos. Eu achei meio esquisito e limitador no começo, mas é só checar pra ver que não é bem assim. É interessante e desafiador, dariam uma boa aula de estrutura da narração no Redigir. Mas chega de falar! Vão lá checar. O link permanente tá aí do lado direito, o primeirão da lista, como só o respectivo tem direito.
5:36 PM
Charlotte: I'm stuck. Does it get easier?
Bob: No. Yes. It gets easier.
Charlotte: Oh, yeah? Look at you.
Bob: Thanks. The more you know who you are, and what you want, the less you let... things upset you.
Charlotte: Yeah. I just don't know what I'm supposed to be. You know? I tried being a writer, but... I hate what I write. And I tried taking pictures, but they're so mediocre, you know. Every girl goes through a photography phase. You know, like horses? You know? Take, uh, dumb pictures of your feet.
[Lost in translation]
1:03 AM
Domingo, Outubro 15, 2006
Pausa para beber água. Dou uma levantadinha na cortina, e lá fora já está claro. Um passarinho começa a cantar, as plantinhas úmidas na janela, é tão bonito. É incrível como essas três horas durante a madrugada rendem mais que dezenas de outras durante o dia. E de como é mais prazeroso ver o relógio marcando 5h30 da manhã quando ainda não se foi dormir do que quando se acabou de levantar. É uma pena que o Antônio Carvalho não apresente mais o "Grande Sampa", eu adoraria ouvi-lo agora como eu o ouvia tomando banho antes de ir pro cursinho.
Ó-quei, parêntesis feito, de volta ao texto. Em tempo: não tenham pena de mim, eu dormi o dia (de ontem) quase inteiro.
5:32 AM
Sábado, Outubro 07, 2006
Vou sumir por uns tempos, sem vida social de verdade nem na internet. Vocês já sabem.
2:50 AM
Quinta-feira, Outubro 05, 2006
Os sonhos bizarros continuam
Começou que eu estava na casa de uma amiga querida, e ficávamos muito tempo conversando. E fazia um frio dos diabos. Aí ela me trazia pra minha casa, pra eu pegar um casaco. Não entrava comigo, que ela tinha uma coisa pra fazer no meio tempo, depois vinha me buscar. E eu estava no quarto da minha mãe, pegando o casaco, e tocava a campainha. E eu achava que já era ela de volta, mas não. Eram dois assaltantes, armados. E eu abria o portão pra eles, e eles com a arma apontada pra mim. E eu não ficava muito nervosa, eles entravam, sentavam no quarto da minha mãe comigo, eu perguntava o que eles queriam. E eu, não sei de que jeito, consegui pegar a arma do que era o líder. E apontava pra ele, e dava um pouco de dinheiro pra ele, e mandava eles embora. E os acompanhava até o portão, e tomava muito cuidado pra não parar de apontar a arma pra eles enquanto procurava a chave do portão no molho. E eles iam embora, pronto.
. . .
Depois eu estava numa outra casa, desconhecida, e aquela amiga já não estava lá. Estava a outra, também querida, e mais uns três rapazes desconhecidos. Era uma casa grande, estava acontecendo uma festa com muita gente que eu conheço, outros tantos desconhecidos. Mas a gente ficava numa espécie de porão, com muitas camas. E falávamos sobre suicídio, e a amiga falava que tinha uma substância que, se você tomasse 4 doses, morria mesmo. Mas precisava tomar as 4. E daí todo mundo tomou a primeira dose, só pela aventura da iminência da morte. E o papo foi ficando mais sério. E um dos rapazes falou que pensava seriamente em se suicidar, e todos tratávamos o tema com naturalidade. E ele foi o primeiro a tomar a segunda dose. E a cada dose, todo mundo ia ficando com cara meio de morto. Olheiras profundas, meio esverdeadas, as unhas meio amarelas, o cabelo perdendo o viço. Ah, a amiga nunca tomava a substância, só nós. Acabamos que todos tomamos a segunda dose, e o rapaz convicto já emendou a terceira, e a quarta. E foi ficando muito arroxeado, meio fraco, mas continuava falando, continuava convicto da decisão. E o papo foi ficando cada vez mais depressivo, e todos tínhamos uma tristeza muito grande, e uma sensação de não-pertencimento muito grande. Menos a amiga, que estava calma, parecia concordar com o nosso pessimismo, mas de forma calma e racional, e ninguém questionava por que ela não tomava também. E era ela quem tinha a garrafa com a substância, e servia a dose a cada um. Tomamos todos a terceira dose, e o rapaz que tinha tomado as 4 já não conseguia se mexer muito, ficava deitado, cada vez mais roxo e com os olhos mais apagados, mas continuava falando. E eu sentia as mudanças em mim, perdia muito do tato, me sentia revestida de uma camada de calos, e o meu cabelo se desfazia um pouco quando eu o tocava. E doía muito a cabeça. E um rapaz decidiu tomar a quarta dose, e outro decidiu que não, que ia ficar na terceira. Meio assonada, decidi tomar a quarta dose. A amiga me serviu, eu tomei um gole muito pequeno e me enchi de aflição, eu não queria mais morrer. Eu não tinha tomado a quarta dose inteira, mas já tinha passado da terceira, e sentia meu corpo definhando, e uma aflição tão grande. E de repente a amiga e o rapaz que parou na terceira dose se misturaram aos outros na festa. E eu fiquei desesperada, e ia atrás deles, mas não tinha a mesma mobilidade. E via a minha mãe na festa, e tinha medo que ela me visse naquela situação. Até que consegui alcançar a amiga, e perguntei se tinha como reverter a situação, e ela disse que sim, se eu não tinha tomado a quarta dose. Mas era um tratamento difícil. E as coisas começaram a ficar confusas, e eu estava numa cama, com a minha mãe e a amiga me olhando, cheia de tubos. A mãe muito triste e desapontada. E eu acordei.
2:00 PM
Eu não sei escrever sobre política, mas queria indicar dois textos de dois blogueiros, e pedir que vocês lessem antes do dia 29.
[Sim, é cagaço, mesmo.]
Declaração de voto, do Marcus Pessoa, do Velho do Farol, e
Uma pergunta aos eleitores de Geraldo Alckmin, do André Kenji, do Contra o Consenso.
12:35 AM
Terça-feira, Setembro 26, 2006
Egon Schiele
(sabe tudo)
11:32 PM
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Fotki
Listography
Flan
Projeto Redigir
Repórter Brasil
piauí
ECA-USP
Andrei Udiloff
8 frases
A Primeira Vítima
Reverso
La Mentira
Curiosa-roja
Momentos de Epifania
La Vie en Rose
Tudo a resolver na prática
De mel
Malacabado
Causos Perdidos
O Guarda Livros
Retalhos do Mosaico
Zaza Vende
Pronto-Parágrafo
Diário de Menininha
The Residence of Gods
Jornal das Pequenas Coisas
A ver estrelas
Alice Chebel
Tony Monti
Blowg
Bibi's Box
Alice me persegue
Desdém
Pensar Enlouquece
Sorvete de Casquinho
Síndrome de Estocolmo
Dor na veia
Post Secret
Geni e o Zepelim
Interludio
Quien lo entiende
Liniers Macanudo
Pablo Gamba
Site da Garota
Manu Coloma
Natalie Zwillinger
Fotos Encontradas
Pocket Films for Travelers
Bob Boyajian's Calligraphic Calendars
NoMínimo
Blue Bus
Pandora
YouTube
Guia da Folha
Zadoque
Wikipedia
Houaiss
ClimaTempo
IMDb
Chico Buarque
Caetano Veloso
Joni Mitchell
Monica Salmaso
Ceumar
Cat Power
Yo la tengo!
Björk
Tok Tok Tok
Rachael Yamagata
Mayra Andrade
Emiliana Torrini
Cordel do fogo encantado
Rádio USP
Eldorado FM
Magnum Photos
Macondo
Pablo Neruda
Margin
Waking Life
Talk Sex with Sue
Jamie Oliver
Tintin
Simpsons
Flip
Museu Lasar Segall
KunstHaus
fase tdp.blogspot
julho 2003
agosto 2003
setembro 2003
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