Quarta-feira, Outubro 29, 2003

O que você prefere?
Sonhos bons ou ruins?
Pense bem antes de responder...
. . .

Está aberta a temporada de sonhos inquietantes.
. . .

Slow Like Honey
Fiona Apple

You moved like honey in my dream last night
Yeah, some old fires were burning
You came near to me and you endeared to me
But you couldn't quite discern me

Does that scare you? I'll let you run away
But your heart will not oblige you
You'll remember me like a melody
Yeah, I'll haunt the world inside you

And my big secret -- Gonna win you over
Slow like honey, heavy with mood

I'll let you see me, I'll covet your regard
I'll invade your demeanor
And you'll yield to me like a scent in the breeze
And you'll wonder what it is about me

It's my big secret -- Keeping you coming
slow like honey, heavy with mood

Though dreams can be deceiving
Like faces are to hearts
They serve for sweet relieving
When fantasy and reality lie too far apart

So I stretch myself across, like a bridge
And I pull you to the edge
And stand there waiting
Trying to attain
The end to satisfy the story
Shall I release you?
Must I release you?
As I rise to meet my glory

But my big secret
Gonna hover over your life
Gonna keep you reaching
When I'm gone like yesterday
When I'm high like heaven
When I'm strong like music
'Cuz I'm slow like honey, and
Heavy with mood.

11:47 PM


Terça-feira, Outubro 28, 2003

Tô com preguiça mesmo de escrever aqui.
Não aconteceu tanta coisa, de todos os modos...
Ontem fui assistir Viaje hacia el mar com a Lia, e amei. É bem o tipo de filme que me encanta, me dá paz, e me deixa assim, acreditando que as coisas uma hora vão voltar para os seus eixos.
. . .

É impressão minha ou essa fase meio pesada está passando? Não, não estou me referindo só a mim.
. . .

Ah... uma receitinha marveilleuse e super light que eu aprendi com essa fase regimesca:

Ingredientes:
- Uma fatia grossa de ricota
- Meio limão
- Adoçante líquido

Modo de fazer:
Amasse bem a ricota com o garfo, esprema o limão, ponha o adoçante a gosto e misture tudo.

10:13 PM


(atendendo a reclamações...)

A feira britânica foi muito legal. Cansativa pra caramba, mas muito legal. Meu, bombou aquele lugar! Nunca pensei que tinha tanta gente interessada em fazer intercâmbio na Inglaterra...
Eu fiquei trabalhando nas urnas (de sorteio para as bolsas), e dava muito trabalho, porque elas pareciam iguais -- e não eram! Tinha uma específica para professores (em Nottingham) e três para estudantes (uma para Bournemouth, uma para Londres e uma para Brighton), sendo que estas duas últimas eram de curso mais básico. A galera chegava no desespero, depositava em qualquer urna e depois vinha pedir pra abrir... um inferno! Mas depois nós demos um jeito de contornar a situação.
Aparecia gente de tudo quanto é jeito... aqueles que têm certeza de que manjam tuuuudo de inglês...
-- Eu quero concorrer a um MBA para administradores.
-- Bom, as bolsas sorteadas na feira são todas para curso de inglês, mas...
-- Haha, eu não preciso de curso de inglês, queridinha.


... aqueles idiotas (que tem em qualquer lugar, claro)...
-- Me explica rapidinho esse esquema, vou depositar na urna e tô caindo fora.
-- Então, para estudantes, nós estamos oferecendo bolsas para Bournemouth, Londres e Brighton.
-- Hmm... e você, vai junto?


... aqueles com uma memória espetacular...
-- Eu me lembro de você! Você fez duas aulas na minha sala na Cultura, e depois mudou de horário!
ou
-- Nossa, lembra de mim?? Eu fiz prova de direção no mesmo dia que você! Você passou, né?

... aqueles curiosos...
-- Você já foi pra Inglaterra? Ficou onde? Quanto tempo? Ganhou bolsa também? Quantos anos você tinha? Era frio lá? Conheceu muita gente? Mantém contato com as pessoas até hoje?

...e teve também uma senhorinha fofa.
-- Eu estou interessada em uma bolsa de MBA em Engenharia pro meu filho.
-- Na verdade, as bolsas oferecidas pela feira são só de curso de inglês... seu filho não estaria interessado?
-- (risadinha fofa) Não, não... meu filho nasceu na Inglaterra, morou lá a vida toda...
-- E a senhora?
-- (risadinha fofa de novo) Ah, eu já falo inglês... morei lá 40 anos... E você?
-- ... eu?!
-- Yes, do you speak English?
-- ... (ghasp!) Yes, I do...
(... período de conversa sobre a vida dela na Inglaterra...)


Adorei.

9:47 PM


Domingo, Outubro 26, 2003

Quero uma rede, uma varanda fresca sem pernilongos, um gramado molhado, damas-da-noite, o vestido mais confortável, um tonel de chá gelado, um livro de contos do Gabo, uma lua linda e um céu de estrelas.
. . .

Alguém pra fazer cafuné e um CD infinito do Chico?
Hmmm... pode ser.

10:40 PM


Quinta-feira, Outubro 23, 2003

flip-flop

flip

Essa semana foi conturbada demais: uma mistura de sentimentos terrível, momentos incrivelmente bons e incrivelmente ruins... oh, god...

flop

Olha só as coisas legais que me emprestaram esta semana:
* A Carol (Mega) da Cultura me emprestou um CD com uma coletânea das melhores músicas do Elvis;
* A Maricota-pikena-mon-amour me emprestou o CD de Um lugar chamado Notting Hill e uma revista Manequim com coisinhas de halloween;
* O Beto me emprestou uma fita com o programa Ensaio, da TV Cultura, com o Vinicius e o Toquinho (que foi ao ar no domingo por causa do 90º aniversário do Vina).

flip

Minha mãe e eu tivemos uma "picuinha" ontem. Às vezes eu falo coisas pequenamente ácidas sem querer, e elas são aceitáveis ou não, dependendo do humor de quem escuta. Bom, não foi o caso de ontem, e saíram faíscas. Mas já está tudo bem, ainda bem...

flop

Estou com uma angústia enorme com relação ao meu curso de inglês. Sabe quando uma coisa extremamente prazerosa vira um fardo? Claro que eu continuo amando a minha turma, eles são impagáveis... mas essas aulas têm me incomodado muito. Fico com a sensação de que não aprendo nada, de que estou perdendo tempo, e minha produção tem sido mínima.

flip

Terça-feira foi um dia muito especial. Uma pessoa muito querida conseguiu o emprego maravilhoso que merecia, e tive uma noite fantástica. Saí com os meus pikenos da facul para comemorar o aniversário da Gabi. Fomos ao Ó do Borogodó, em Pinheiros. Foi perfeito: não estava muito cheio, foi muita gente legal e a música estava indefectível.
No Ó, às terças-feiras, toca-se chorinho. A banda era composta por dois senhores no violão (um de 6 e um de 7 cordas), uma senhora que tocava o pandeiro lindamente, mexendo-se no ritmo da música, pondo um prazer incrível naquilo, e um mocinho que tocava flauta transversal muitíssimo bem. Como se não bastasse, a diva Beth Carvalho apareceu para vê-los tocar e, claro, acabou dando uma palhinha. A escolha não poderia ter sido melhor: ela cantou Folhas Secas, um clássico do samba que eu, o Gui e o Beto sempre cantamos nos bares da vida.
Depois disso, fui dormir no Silas, e fiquei até de madrugada conversando com ele e com o Luizinho (e rindo muito, pra variar).

flop

Estou terminando a primeira fase do meu regime. Não emagreci tantos quilos quanto gostaria, mas não tenho do que reclamar. Não passei fome nem um pouco e as comidas eram deliciosas. Além disso, só de poder voltar a vestir aquelas roupas que estavam guardadas no armário havia alguns meses, já é uma massageadinha na auto-estima.

flip

Estou ouvindo agora o programa de rádio do Ciro, o Teatro do Mundo -- A canção. O de hoje é sobre comunicação, está uma delícia (claro... é o tema que ele mais domina, né?). Nem acredito que não curtia a aula dele no primeiro semestre, estou fã do Ciro (Marcondes Filho, professor de Teoria da Comunicação e Sociologia da Era Virtual), meu Deus! Pra quem conseguir sintonizar, eu recomendo total.
Rádio USP -- 93,7FM
Terças-feiras ao 12h00 e
Quintas-feiras às 23h00.


flop

Está tendo a Mostra de Cinema e eu ainda não pude ir a nenhum filme. Estou me sentindo tremendamente defasada, mas não tenho tido tempo meeesmo. Amanhã vou ver meu primeiro filme, Elefante, com o Silas, e segunda vou com a Lia ver Viagem até o mar. Sabe-se lá se vou conseguir ver mais algum. Droga.

flip

Meu sentimento ruim não está mais aqui, não. Ele oscila. Eu não posso dizer que estou me sentindo bem, mas lavei minha alma (uma lavagem meia-boca), pus pra centrifugar (na potência máxima), e agora ela está secando (ainda meio sujinha) no varal, num dia de vento bem forte. Hmmmmm.

11:14 PM


Segunda-feira, Outubro 20, 2003

Vocês se lembram do Miguel, o nosso segurança da ECA que também é poeta?
Vocês se lembram do Miguel, aquele poeta que também é segurança da ECA?
Ele me entregou hoje um poema que fez pra mim, e fez meu dia mais feliz.

Tenho uma amiga

Tenho uma amiga
Com quem posso conversar
Que sabe escutar
Que sabe sonhar
Que brinca nas ondas do mar.

Tenho uma amiga
Que sabe gostar
Que fala sobre o céu, mar e ar
Que curte anjos, fadas e duendes
Que inventa tanto a me deixar tonto.

Tenho uma amiga
Que espero chegar
Que de nosso dia quero conversar
Que não cansa de me avisar
Que os dias foram feitos para nos encontrar.

Tenho uma amiga
Que mantém as sensações carinhosas,
Que vive a guardar nossa amizade,
Que vivo sempre a encontrar,
E que por toda a vida eu quero guardar.

Essa amiga é sensível
É meiga
É sincera
É maravilhosa.

Essa amiga é a Paula.


. . .

Ai, gente... não é porque eu estou manteiga derretida, não...
Sabe quantas pessoas têm a sorte de encontrar tanta gente especial assim na vida? Ai, que delícia, eu estou cercada de pikenos por todos os lados! Não dá pra ser triste deste jeito... Esqueçam o post de baixo! Tudo vai passar...

. . .

Alguns trechinhos plus que vão para o livro do Miguel, pra vocês ficarem babando e morrerem de inveja.

"O amor nasce de quase nada,
E morre de quase tudo."

"A felicidade precisa ser
interrompida, para ser sentida."

"O amor é como a lua:
quando não cresce, míngua."

"É mais fácil apagar o sol
do que apagar os sentimentos de um homem."

"O melhor beijo é que foi
Anunciado, e não se realizou
Por falta de ocasião."

"Não deixes a tua falta
Fazer-me procurar outro mundo.
Eu gosto do seu,
Outro não me satisfaz."

10:42 PM


ATENÇÃO:
A seguir, um post confessional, com quês de melodramaticidade, frases impusivas -- e, portanto, mal escritas. Recomenda-se, àqueles que tiveram um bom dia, ou que não curtem choramingos, ou que acham que eu preciso de um psicólogo, que não leiam este texto. Pulem para a parte de baixo, a da música. Não me responsabilizo por quaisquer efeitos causados. Ah, e não aceito críticas também.

. . . . .

Cadê aquela outra mulher?

Quando eu penso que estou bem, que já superei, que as feridas já estão cicatrizando, vem essa sensação. Uma coisa ruim, que eu não quero sentir...
Sei lá, é como se algo me dissesse que algumas coisas nunca vão voltar ao seu lugar original (talvez seja a velha teoria dos vasinhos de porcelana).
Eu pensei tanto em dignidade neste tempo todo, que acabei deixando de lado todos os demais compromissos comigo mesma. Queria ser mais forte, mais nobre, mais cicatrizável.

O povo já se cansou de tanto o céu desabar

Ninguém agüenta mais as minhas crises de humor. Minha TPM passada durou três semanas, passou, e agora estou assim, emotiva. Tudo me afeta, me dá vontade de chorar... e eu, que tenho vergonha de chorar na frente dos outros, fico assim, com a cabeça doendo, entupida de lágrimas. E, choro tudo de uma vez, por uma besteira ou outra.

Se a chuva quer é trazer você pra mim

Ai, Paula, mas que saco! Que obsessão, que chatice! Quanto tempo vai durar isso? E essa esperança desesperançosa que não vai embora? O que falta mais acontecer pra você se convencer de que: não, não tem nada a ver?

Meu coração já se cansou de falsidade

Eu costumava brincar que quando se come um chocolate escondido, o corpo não metaboliza as calorias. Será que, seguindo a mesma lógica, um assunto desaparece se não falamos nele? Se sim, demora quanto tempo?

. . . . .

Os trechinhos em negrito são da música da Maria Rita, Santa Chuva. Aqui está a letra, na íntegra:

Santa Chuva

Vai chover de novo, deu na TV
Que o povo já se cansou
De tanto o céu desabar
E pede a um santo daqui
Que reza a ajuda de Deus
Mas nada pode fazer
Se a chuva quer é trazer você pra mim
Vem cá, que tá me dando uma vontade de chorar
Não faz assim
Não vai pra lá
Meu coração vai se entregar à tempestade
Quem é você pra me chamar aqui
Se nada aconteceu? Me diz.
Foi só o amor?
Ou o medo de ficar sozinha outra vez
Cadê aquela outra mulher?
Você me parecia tão bem
A chuva já passou por aqui
Eu mesma que cuidei de secar
Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha TV
Que eu vou de vez
Não há por que chorar
Por um amor que já morreu
Deixa lá. Eu vou. Adeus.
Meu coração já se cansou de falsidade.

10:25 PM


Olhem só, que máximo:

Um blog com os apresentadores do GNT, muito legal.
Além disso, eles têm bom gosto...
Colocaram meu blo(w)g preferido nos links ;)

9:37 PM


Domingo, Outubro 19, 2003

:: PAUSA PARA OS COMERCIAIS ::


Vocês estão sabendo da Feira de Educação Britânica?
Em São Paulo, vai ser no MuBE - Museu Brasileiro de Escultura, que fica na Av. Europa, 218, nos Jardins; nos dias 24 e 25 de outubro das 14h às 20h.
Mas vai acontecer também em BH, no Rio e em Curitiba.

Por que você deve ir?

- Porque vão estar presentes representantes de várias instituições (escolas, universidades) britânicas
- Porque vai ter um monte de palestras pra tirar as dúvidas de quem quer fazer um intercâmbio pro Reino Unido
- Porque é promovida pelo British Council, que é uma organização muito confiável
- Porque eles vão sortear 13 bolsas de um mês, e...
- Porque eu vou trabalhar lá! :)

4:40 PM


Ontem eu conheci um poema que já se tornou um dos meus preferidos...
Acho que vocês também vão gostar.
Você já conhecia, pikena?


Hora Absurda
Fernando Pessoa

O teu silêncio é uma nau com todas as velas pandas...
Brandas, as brisas brincam nas flâmulas, teu sorriso...
E o teu sorriso no teu silêncio é as escadas e as andas
Com que me finjo mais alto e ao pé de qualquer paraíso...
Meu coração é uma ânfora que cai e que se parte...
O teu silêncio recolhe-o e guarda-o, partido, a um canto...
Minha ideia de ti é um cadáver que o mar traz à praia..., e entanto
Tu és a tela irreal em que erro em cor a minha arte...
Abre todas as portas e que o vento varra a ideia
Que temos de que um fumo perfuma de ócio os salões...
Minha alma é uma caverna enchida p¿la maré cheia,
E a minha ideia de te sonhar uma caravana de histriões...
Chove ouro baço, mas não no lá-fora... É em mim... Sou a Hora,
E a Hora é de assombros e toda ela escombros dela...
Na minha atenção há uma viúva pobre que nunca chora...
No meu céu interior nunca houve uma única estrela...
Hoje o céu é pesado como a ideia de nunca chegar a um porto...
A chuva miúda é vazia... A Hora sabe a ter sido...
Não haver qualquer coisa como leitos para as naus!... Absorto
Em se alhear de si, teu olhar é uma praga sem sentido...
Todas as minhas horas são feitas de jaspe negro,
Minhas ânsias todas talhadas num mármore que não há,
Não é alegria nem dor esta dor com que me alegro,
E a minha bondade inversa não é boa nem má.
Os feixes dos lictores abriram-se à beira dos caminhos...
Os pendões das vitórias medievais nem chegaram às cruzadas...
Puseram in-fólios úteis entre as pedras das barricadas
E a erva cresceu nas vias férreas com viços daninhos...
Ah, como esta hora é velha!... E todas as naus partiram!
Na praia só um cabo morto e uns restos de vela falam
De Longe, das horas do Sul, de onde os nossos sonhos tiram
Aquela angústia de sonhar mais que até para si calam...
O palácio está em ruínas... Dói ver no parque o abandono
Da fonte sem repuxo... Ninguém ergue o olhar da estrada
E sente saudades de si ante aquele lugar-Outono...
Esta paisagem é um manuscrito com a frase mais bela cortada...
A doida partiu todos os candelabros glabros,
Sujou de humano o lago com cartas rasgadas, muitas...
E a minha alma é aquela luz que não mais haverá nos candelabros...
E que querem ao lado aziago minhas ânsias, brisas fortuitas?...
Porque me afligo e me enfermo?... Deitam-se nuas ao luar
Todas as ninfas... Veio o sol e já tinham partido...
O teu silêncio que me embala é a ideia de naufragar,
E a ideia de a tua voz soar a lira de um Apolo fingido...
Já não há caudas de pavões todas olhos nos jardins de outrora...
As próprias sombras estão mais tristes... ainda
Há rastos de vestes de aias (parece) no chão, e ainda chora
Um como que eco de passos pela alameda que eis finda...
Todos os ocasos fundiram-se na minha alma...
As relvas de todos os prados foram frescas sob meus pés frios...
Secou em teu olhar a ideia de te julgares calma,
E eu ver isso em ti é um porto sem navios...

Ergueram-se a um tempo todos os remos... Pelo ouro das searas
Passou uma saudade de não serem o mar... Em frente
Ao meu trono de alheamento há gestos com pedras raras...
Minha alma é uma lâmpada que se apagou e ainda está quente...
Ah, e o teu silêncio é um perfil de píncaro ao sol!
Todas as princesas sentiram o seio oprimido...
Da última janela do castelo só um girassol
Se vê, e o sonhar que há outros pões brumas no nosso sentido...
Sermos, e não sermos mais!... Ó leões nascidos na jaula!...
Repique de sinos para além, no Outro Vale... Perto?...
Arde o colégio e uma criança ficou fechada na aula...
Porque não há-de ser o Norte o Sul?... O que está descoberto?...
E eu deliro... de repente pauso no que penso... Fito-te
E o teu silêncio é uma cegueira minha... Fito-te e sonho...
Há coisas rubras e cobras no modo como medito-te,
E a tua ideia sabe à lembrança de um sabor de medonho...
Para que não ter por ti desprezo? Porque não perdê-lo?...
Ah, deixa que eu te ignore... O teu silêncio é um leque -
Um leque fechado, um leque que aberto seria tão belo, tão belo,
Mas mais belo é não o abrir, para que a Hora não peque...
Gelaram todas as mãos cruzadas sobre todos os paitos...
Murcharam mais flores do que as que havia no jardim...
O meu amar-te é uma catedral de silêncios eleitos,
E os meus sonhos uma escada sem princípio mas com fim...
Alguém vai entrar pela porta... Sente-se o ar a sorrir...
Tecedeiras viúvas gozam as mortalhas de virgena que tecem...
Ah, o teu tédio é uma estátua de uma mulher que há-de vir,
O perfume que os crisântemos teriam, se o tivessem...
É preciso destruir o propósito de todas as pontes,
Vestir de alheamento as paisagens de todas as terras,
Endireitar à força a curva dos horizontes,
E gemer por ter de viver, como um ruído brusco de serras...
Há tão pouca gente que ame as paisagens que não existem!...
Saber que continuará a haver o mesmo mundo amanhã - como nos desalegra!...
Que o meu ouvir o teu silêncio não seja nuvens que atristem
O teu sorriso, anjo exilado, e o teu tédio, auréola negra...
Suave, como ter mãe e irmãs, a tarde rica desce...
Não chove já, e o vasto céu é um grande sorriso imperfeito...
A minha consciência de ter consciência de ti é uma prece,
E o meu saber-te a sorrir é uma flor murcha a meu peito...
Ah, se fôssemos duas figuras num longínquo vitral!...
Ah, se fôssemos as duas cores de uma bandeira de glória!...
Estátua acéfala posta a um canto, poeirenta pia baptismal,
Pendão de vencidos tendo escrito ao centro este lema - Vitória!
O que é que me tortura?... Se até a tua face calma
Só me enche de tédios e de ópios de ócios medonhos...
Não sei... Eu sou um doido que estranha a sua própria alma...
Eu fui amado em efígie num país para além dos sonhos...

4:11 PM


Quarta-feira, Outubro 15, 2003

Eu não deveria meeesmo estar na internet, uma vez que estou na metade do texto da minha prova de Ética e nem comecei a ler o de Sociologia da Era Virtual, e tenho provas das duas coisas amanhã. Mas é rapidinho.
Resolvi postar para me redimir do meu post anterior sobre os publicitários, principalmente. A Kellyzinha reclamou -- com toda a razão -- da minha incoerência e da generalização.
Lógico que em todas as profissões existem bons e maus profissionais... eu juro que eu não quis ser preconceituosa, foi só um desabafinho tão ínfimo, mas tão ínfimo, que eu nem consegui sustentá-lo até o fim.
Tenho que admitir que algumas propagandas são extremamente bem feitas -- não sei se é o caso da propaganda da Sadia, eu só coloquei pra ilustrar a minha sensibilidade atual -- e gostosas de assistir.
Existem muitos publicitários mais éticos que a maioria dos jornalistas. A rixa jornalismo/publicidade sempre existiu -- e vai continuar existindo -- por causa da concomitante semelhança e oposição drástica entre as duas áreas. Mas isso, de modo algum, impede o bom convívio entre seres dessas espécies distintas!
Fora a Kel, que é minha amigona do cursinho, tem o Luizinho, meu amigo de PP (sim, aquele que mora com o Silas), a Kat (minha antiga e mais querida professora da Cultura), etc, etc.
Eu juro que eu não tenho nada contra vocês, tampouco com a profissão que vocês escolheram, e admito que a minha observação -- ainda que não proposital -- foi extremamente infeliz.

. . .

Hoje foi um dia lindo: gravamos nosso programa de rádio (que, of course, não vai ao ar) de manhã -- e ficou fantastique, conversei bastante tempo com a Nat -- sabe aquelas pessoas que quanto mais você conhece, mais você gosta?, almocei com a Lia na prainha, estudei (??) com o Gui, com o Silas e com a Lia na árvore e encotrei meus pikenos da Cultura à noite. Para fechar o dia com chave de ouro, a Babi (não a Babizinha), mas a Babi do Magno (com quem eu fundei o termo "pikena", long time ago) me ligou! Me derreti todinha... sim, sim, algumas pessoas naquele colégio valiam por todos os problemas... ai, ai...

. . .

How Can You Mend A Broken Heart?
Bee Gees

I can think of younger days
When living for my life
Was everything a man could want to do
I could never see tomorrow
But I was never told about the sorrow
And how can you mend a broken heart?
How can you stop the rain from falling down?
How can you stop the sun from shining?
What makes the world go round?
How can you mend a this broken man?
How can a loser ever win?
Please help me mend my broken heart
And let me live again
I can still feel the breeze
That rustles through the trees
And misty memories of days gone by
We could never see tomorrow
No one said a word about the sorrow
And how can you mend a broken heart?
How can you stop the rain from falling down?
How can you stop the sun from shining?
What makes the world go round?
How can you mend this broken man?
How can a loser ever win?
Please help me mend my broken heart
And let me live again...

11:22 PM


Passei um bom tempo sem ver televisão, e estou pensando seriamente em voltar pra minha abstinência. For heaven's sake, se eu vir mais alguma propaganda de lojas de móveis ou de remédios para gripe eu vou surtar!!!!

"É gripe? Benegripe!"
"Apracur é pra curar!"
"Pra você ficar legal, melhor é Melhoral!"

Seriam piores do que os clássicos: "Quer pagar quanto???" e o "Lojas Marabraz: preço melhor ninguém faz!"
???
Morte aos publicitários.

. . .

Mario Sergio, sempre ele. Depois me criticam por ser tiete.

. . .

Ontem eu assisti Um lugar chamado Notting Hill. Mesmo sendo dublado, mesmo sendo com comerciais, mesmo sendo água-com-açúcar e extremamente previsíveis, eu adorei (de novo). Adoro o Hugh Grant bonzinho -- não que eu não goste quando ele está safado! Muito bom também ver o meu bairro preferido de Londres, com todas aquelas casinhas iguaizinhas e coloridinhas... ai, ai. Por fim, eu amo a trilha sonora deste filme. Lógico que eu lembrei de você (e da She-ra) quando tocou She com o Elvis Costello, e chorei com How can you mend a broken heart?, dos Bee-Gees, naquela hora que o Hugh está no metrô, abandonadinho.

. . .

Por falar em chorar, ando uma manteiga-derretida. Sabe aquela propaganda da Sadia em que o menino conta do avô (é um amigo bem mais velho...), com cenas de pescaria... e que ele diz que neste dia eles quase não se falaram, mas que sentiu como se fosse a melhor conversa que ele já teve?? Pois bem. Eu chorei.
Foi o segundo choro mais patético da minha vida -- só perde para a vez que eu chorei lendo a biografia do Che Guevara na Barsa.

12:26 AM


Domingo, Outubro 12, 2003


chega de saudade.

Tem historinha nova. Just in case anyone gets interested.

11:54 AM


Sábado, Outubro 11, 2003

Ainda no clima de Lisbela...


Que uma coisa fique certa, amor...
A porta vai estar sempre aberta, amor...
O meu olhar vai dar uma festa, amor...
Na hora em que você chegar.
Elza Soares, Espumas ao Vento

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer,
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo, buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
(...)
E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto de me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro.
Caetano Veloso, Você não me ensinou a te esquecer

11:23 PM


Váyanse preparando... que el conejo ha de salir...

Revoltinha. Neste momento era para eu estar no churras da Kokubinho, mas eu fui impedida por causa de uma maldita cólica. É nestes momentos que eu odeio ser mulher. Mas eu estou bem-humorada anyway.
De qualquer modo, estes dois dias foram muito divertidos! Regados a muita chuva, tênis ensopado, guarda-chuva ineficiente, Fnac, ECA (muita ECA...), casa da Lia, casa do Silas, batidinha de uva na Lia, chá de morango e bolacha no Silas, muito Fernando Pessoa na FFLCH...

11:11 PM


Quarta-feira, Outubro 08, 2003

Eu. Ouvindo Elza Soares e lendo Nietzsche.

Não adianta: é preciso questionar impiedosamente e conduzir ao tribunal os sentimentos de abnegação, de sacrifício em favor do próximo, toda a moral da renúncia de si: do mesmo modo a estética da "contemplação desinteressada", com a qual a emasculação da arte procura hoje, sedutoramente, criar uma consciência tranqüila. Há encanto e açúcar demais nesses sentimentos de "para os outros", de "não para mim", para que não se tenha a necessidade de desconfiar duplamente e perguntar: "não seriam talvez -- seduções?". -- O fato de agradarem -- àquele que os tem e àquele que goza de seus frutos, e também aos meros espectadores -- não fornece argumentos em favor deles, mas é, isto sim, um convite à cautela. Logo, sejamos cautelosos.
Nietzsche, em Além do Bem e do Mal


"Não é coisa de momento, raiva passageira
Ferida que dói e passa, feito brincadeira"
Elza Soares, em Espumas ao Vento



Hmmm. Se eu estiver mal-humorada amanhã, já sabem.

11:23 PM


Terça-feira, Outubro 07, 2003

Deus e a (in)justiça

Uma vez, no segundo colegial, eu briguei muito feio mesmo com o Luís (um amigo de quem eu gostava um pouquinho além da amizade) porque ele se disse ateu. Eu fui "criada para ser católica", com direito a batizado, catecismo, crisma e tudo. Lógico que muito mais pela vontade da minha avó do que pela minha... eu sempre conto que, no dia da minha crisma, ela virou pra mim e disse, orgulhosa: "Agora só falta o casamento e a extrema unção" -- referindo-se aos sacramentos. Nunca tinha passado pela minha cabeça questionar a existência de Deus. Era muito simples (confortável, digamos) ter alguém lá em cima que ouvisse quando ninguém mais quisesse/devesse/pudesse ouvir, alguém pra recorrer nos casos extremados (ou não tanto), e até mesmo um motivo para tentar ser boazinha, educada, compreensiva, mesmo quando parecia ser bem mais divertido chutar o balde de vez enquando.
O Luís acabou entendendo -- eu pedi desculpas, claro. Logo eu, que sempre achei um hor-ror todo tipo de preconceito, ficar armando barracos deste tipo...
Mas o tempo foi passando (nem tanto tempo assim), eu fui me afastando da igreja (ah, aquelas missas duravam tanto tempo...), do catolicismo (maior hipocrisia tudo aquilo...), das religiões em geral (me interessava muito -- e ainda me interesso por temas religiosos. Mas não acho que se deve considerar praticante de uma religião se não se concorda inteiramente com o que ela prega... nada daquilo de "sou católico, mas..."), e talvez um pouquinho de Deus.
E fui conhecendo muita, muita gente que eu amo muito é que é atéia. E não me incomoda mais isso, não me intriga, nada... É como se não fosse importante saber ou acreditar na existência de Deus. Talvez o meu Deus seja o inconsciente de alguém, ou um amigo imaginário, ou whatever.

. . .

Eu não consegui encaminhar este texto para onde eu queria. A verdade é que eu estou muito desiludida com essa história toda de justiça divina e os bons se dão bem, os maus se dão mal. Além de me sentir impotente (adianta rezar?), eu estou com uma sensação enorme de injustiça.

. . .

Oh, ma petit cherie, não me sinto no direito de te pedir pra ficar bem. Talvez fosse até egoísta da minha parte, porque eu não consigo estar bem com você assim. Eu não quero que você se sinta na obrigação de estar bem pra todo mundo, de "manter as aparências", de "evitar a pena". Às vezes, expor o problema é a maneira mais fácil de engoli-lo, digeri-lo e "transformá-lo numa substância de pouco valor, expelindo-o" (como eu estou eufemista hoje!). Sei que uma das nossas milhares de diferenças (eu não seria capaz de te amar tanto assim se você fosse igual a mim) é que eu me exponho demais e você de menos. E eu faço o possível para respeitar essa diferença, não te empurrar pra parede e fazer você se abrir comigo -- embora eu me sinta muito impotente quando eu sei que você não está legal. Só quero que você tenha certeza de que eu estou prestando atenção em tudinho, porque tudo o que concerne à sua vida afeta a minha deeply, deeply. E eu estou aqui, de orelhinhas em pé pra quando quer que você precise.

11:12 PM


Domingo, Outubro 05, 2003


It simply doesn't make any sense.
2 semanas de regime + ginástica = 2kg a mais
E minha mãe acha que eu estou gorda porque eu quero...

11:03 PM


Feeling the same way
Norah Jones

The sun just slipped its note below my door
And I can't hide beneath my sheets
I've read the words before so now I know
The time has come again for me

And I'm feelin' the same way all over again
Feelin' the same way all over again
Singin' the same lines all over again
No matter how much I pretend

Another day that I can't find my head
My feet don't look like they're my own
I'll try and find the floor below to stand
And I hope I reach it once again

So many times I wonder where I've gone
And how I found my way back in
I look around awhile for something lost
Maybe I'll find it in the end

11:00 PM


Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É minha maneira de estar sozinho
(...)
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento.
(...)
Olhando para o meu rebanho e vendo minhas idéias
Ou olhando para as minhas idéias e vendo o meu rebanho.

O Guardador de Rebanhos, Alberto Caeiro


Estou assistindo a uma série de aulas sobre Fernando Pessoa na FFLCH aos sábados. Ontem foi a primeira, e adorei! As professoras são fantásticas... seria tão bom se você pudesse fazer, pikena, você ia amar...
É bom pra matar um pouquinho a minha vontade de fazer Letras.

1:15 PM


Parece dezembro de um ano dourado...

Que dia bonito, deu até vontade de pôr as lentes...
Porque dias ensolarados não combinam com miopia: não dá pra ver os detalhezinhos das plantas no jardim, das flores... aqueles nomes todos que eu gostava de aprender no laboratório de biologia... sépala, estame, estróbilo...
Miopia combina com os dias chuvosos -- que eu me recuso a chamar de feios. Combina com cheiro de terra molhada, com ar mais gelado e úmido, com verde escuro e marrom...

12:47 PM


Esse fim de semana também está sendo bem movimentadinho... sexta à tarde nós (eu, Fujita, Paula, Gui e Beto) fomos no centro, de novo. Mas aí o programa foi diferente... comemos no Pedrinho, o melhor cachorro-quente da cidade segundo vários rankings, subimos no prédio do Banespa e vimos a cidade pequenininha lá do altão... o Gui, que é muito espertinho, ficava contando pra gente o que era o que, ele conhece tooodos os prédios. "Um gênio", como ele mesmo diz.
À noite fomos pra baladinha, o Outubro Ou nada (adoro estes nomes!). Mas não foi muito legal, não... tava cheio demais, o lugar era pequeno... e as músicas também não estavam me agradando -- quanto mais passa o tempo, mais chata eu fico pra música. Não gostei, não...
Ontem eu fui no Friday's com o Luiz (que lê esse blog e nunca comenta), a Paulinha, a Carol e o Leo (namo da Carol) do inglês e a Dai e a Vivi do Magno. Comi a minha Caesar salad fantástica e o Barnamint Bailey's, a melhor bebida de todos os tempos, com Baileys, Negresco e menta.
E hoje vou ao cinema com os pikenos do cursinho (saudade-saudade-saudade). Acho que vou ver Lisbela e o Prisioneiro again, pq a Lilizinha e a Babizinha ainda não viram, e eu gostei tanto que nem ligo de ver de novo.

12:43 PM


Quinta-feira, Outubro 02, 2003

Ai.

Me faz realmente muito mal esse negócio. Me irritei demais hoje, com a prova de Sociologia da Era Virtual sobre a qual eu não sabia nada, com a Mayra, minha professora de Ética que deve me achar estúpida (talvez eu seja, mesmo), com Nietzsche, com o segurança imbecil do Shopping Santa Cruz que não me deixou sentar na bordinha do canteiro.
Ah, eu odeio pessoas amargas quando eu estou amarga. E Nietzsche hoje me soou extremamente amargo. A gente devia estudar Saint-Exupéry em Ética, isso sim.
Hmpf. Vou lá tomar meu banho com o meu sabonete de erva-doce, tomar meu chá de frutas vermelhas e ficar lendo O Pequeno Príncipe ao som de Norah Jones.

10:10 PM


Quarta-feira, Outubro 01, 2003

Eu estou puta. Estressadíssima. Minha TPM está atingindo os picos mais altos hoje, com o mundo conspirando contra mim. Vontade de chorar, de atirar coisas, de sair correndo, de parar do nada, deitar de bruços esmurrando o chão, de ir prum cantinho e ficar sozinha até o temporal interno passar.

* * *

Eu me odeio quando eu estou de TPM. Ao contrário do que possa parecer, eu não gosto de ficar assim, eu não gosto de ser grossa com as pessoas, eu não gosto de potencializar as minhas fraquezas e irritações, e eu realmente não gosto de ficar com essa dor no estômago por causa desse nervoso todo. Não vou me desculpar, sei que não dá pra entender, e eu também não sei como me sentir culpada, pq vem de dentro, é quase involuntário. Por Deus, que passe logo tudo isso, eu quero ser eu mesma de novo...

* * *

Sábado eu escrevi um conto quase erótico no Chega de Saudade (influências do Silas, of course). Leiam, se tiverem a fim. E, se tiverem mais paciência ainda, façam comentários aqui.

* * *

A sala da Babizinha na Cásper agora também tem o seu próprio blog. Tá muito engraçado. Com várias piadas internas, lógico (e quem somos nós para criticar?), mas muito divertido. Vale conferir, O Gorfo.

10:02 PM


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