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Segunda-feira, Maio 31, 2004
sobre o dia em que eu fiz a minha primeira cesta de bebê ou
de como os meus pais quase me deixam louca
Que a minha mãe é maluca, todo mundo já sabe. A bichinha trabalha de secretária, faz inglês, espanhol, faculdade de Gestão Ambiental e ainda faz cestas de café da manhã, arranjos de flores e coisas do gênero nas horas vagas. Meu pai ajuda. Ele sabe mexer muito bem com jardinagem, mas não tem aquela habilidaaaaade com arranjos e essas viadagens. E eu sempre me esquivei, sabe? Teve uma época em que eu nem podia ver flor, odiava rosas, sei lá se era trauma, se eu tinha enjoado ou se era chata, mesmo. Mas passou... hoje em dia eu até conservo uma garrafinha de coca-cola que serve de vasinho prum punhado de flores que sobram dos arranjos da mami.
Bom, mas vamos ao que interessa. De vez enquando minha mãe pega encomenda de uns arranjos que ela sabe que não vai ter tempo de fazer. E daí sobra pro papi, claro... e ele entra em pânico, cabelinhos em pé, andando pra lá e pra cá, destruindo milhares de papéis-de-seda até conseguir ajeitar direito na cesta... assim, mesmo. A minha parte geralmente é escrever o cartão, segurar o celofane pra ele cortar, dar o nozinho na palha... fora a opinião, claro.
Bom, hoje a casa caiu. O papi tava mais estressado que de costume, já tinha destruído uns quatro celofanes quando eu resolvi ver se conseguia fazer alguma coisa. Fui só seguindo ordens, do jeitinho que ele falava e... ficou uma bosta. Imaginem uma cesta enorme (a "média", segundo a mamãe), com uns quilos de papel-de-seda, um raminho com quatro gérberas e um ursinho (médio, também) sobre isso tudo. Nhek. Quando ele perguntou o que eu achei, eu não pude deixar de ser sincera... Ele começou imediatamente a bufar... Sua mãe tá em aula agora? Tá. Mas ela sai da sala quando eu ligo... Acho que eu vou ligar pra ela, então (bufo master). Pausa pra observação: eles sempre brigam nestes momentos: minha mãe, que acha uma obviedade desnecessária tudo o que ela fala, e meu pai putíssimo, cabelos eriçados, quase pedindo a conta.
Aí eu resolvi ligar. Fala. Cê tá louca? Eu vou entrar em prova a-go-ra! Mami, veja bem. Eu realmente não sei fazer isso. E você sabe. Eu só quero que você me diga exatamente o que você quer e eu faço. Cadê o seu pai?! Lá no fundo (mentira). Grhmpf. Eu quero a cesta grande. Duas esponjas. Celofane amarelo e branco. Tá... e... tu-tu-tu... Não precisava desligar, né?? Frankly.
Cheguei na cozinha já falando pro papai ir buscar rápido a cesta grande, as esponjas e a folhagem. Esponja?? Sua mãe não falou nada de esponja! Falou pra mim. Você perguntou? Hmfsdph.
Impossível que fosse assim tão difícil. Toca o telefone. Ela. Nenê? Caiu a ligação. Olha só... a cesta grande, quatro folhas de papel-de-seda, duas brancas, duas amarelas. As duas esponjas no canto direito. Sabe, atravessadas no canto direito? Aham... O resto, você põe papel-de-seda branco amassadinho com o ursinho em cima. Deu pra entender? Deu... E agora eu vou entrar em prova e vou desligar o celular! Beijo! Tu-tu-tu...
Volta ele. Esbaforido. Agora não tem mais pressa. Já vamos entregar com atraso. Sua mãe, também... Pegou a folhagem? Não, a esponja demora pra umidecer... Papi, pega a folhagem lá que eu vou montando o resto. Demoramos, contados no relógio, 12 minutos. E ficou super bonita. Lógico que as da mamis dá de dez, mas... affen. Qualquer dia eles conseguem...
8:28 PM
Sábado, Maio 29, 2004
sdfsdhfa sdfhsdofisdfh hasdoifhasdf sdofhasdoifhsdf.
Na próxima encarnação eu quero nascer magra.
7:34 PM
panorama geral.
Tá tudo muito corrido. Os dias têm se confundido, as noites de sono ficado cada vez mais curtas, tenho cochilado em todos os lugares, o tempo todo. Trabalhos até as tampas. Não vou nem listar pra não ficar maluca. O pior é me sentir irresponsável mesmo sabendo que eu tô fazendo muito além do que costumava fazer... E é quase impossível conciliar o tempo dos amigos do cursinho, da faculdade, do Ivan, da família... e, além de eu quase ficar louca, todo mundo fica se sentindo deixado de lado... oh, my.
Eu quero as minhas férias.
P.S.: Voltei a tomar café, depois de semanas de abstinência. Sim, já voltei a ter dores de estômago também.
P.P.S.: Estou comendo muito. E engordando feito uma porquinha. De novo. Exercício físico? Hahahahahahahahahaha...
P.P.P.S.: Vai chegar o dia em que eu vou ser uma mulher forte e nada, nada, muito menos insegurança vai me afetar.
1:54 PM
Segunda-feira, Maio 17, 2004
Don't you know, honey,
Ain't nobody ever gonna love you
The way I try to do?
Who'll take all your pain,
Honey, your heartache, too?
And if you need me, you know
That I'll always be around if you ever want me
Come on and cry, cry baby...
Janis Joplin
Senão é como amar uma mulher só linda.
E daí? Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste,
Qualquer coisa que chora,
Qualquer coisa que sente saudade.
Um molejo de amor machucado,
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar,
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão.
Vinicius de Moraes
Juliette Gréco, uma mulher de verdade.
Não tô a fim de explicar nada. Não, não tem nada a ver comigo ou com a minha vida. Só faz parte de algumas reflexões recentes sobre a submissão e o conceito de "mulher de verdade". O que é uma mulher de verdade pra você?
10:08 PM
Sexta-feira, Maio 14, 2004
Geni e o Zepelim.
Pra quem não sabe, eu, a Gigi e os nossos alunos do Redigir estamos inaugurando um blog. Não é um blog tradicional... vocês vão sentir falta, logo de cara, da data, do horário, da assinatura... mas daria um trabalho incrível cadastrar todo mundo no blogger -- ainda mais com as últimas mudanças -- e só ia complicar a vida de todo mundo.
Ó-quei, se sou só eu quem posta, por que não um site? Simples, porque eu não sei fazer site! Já tô acostumada com o formato de blog, com algumas tags, e acho que o efeito é bem parecido de todas as formas.
Conversas logísticas à parte, o nosso objetivo é publicar os melhores textos dos alunos (na opinião deles, é claro) e dar espaço para que eles mesmos e outras pessoas comentem. Lógico que eu ficaria felicíssima se todo mundo que visita aqui desse uma passadinha lá de vez enquando e comentasse o texto deles... Até agora só tem um publicado, o da Andréia, que fez um perfil do Miguel (aquele porteiro/segurança da ECA que também é poeta, lembram?).
. . .
O nome escolhido -- eu juro que houve uma votação democrática, com direito a primeiro e segundo turnos -- foi Geni e o Zepelim, que nem na música do Chico. A idéia veio por causa da repercussão dessa música numa das primeiras aulas, de narração. Eles acharam divertidíssima (como assim??) e... pronto, marcou.
. . .
O template ainda está em fase de elaboração. Aceito críticas, elogios e, principalmente, ajuda.
http://www.geniezepelim.blogger.com.br
6:52 PM
Domingo, Maio 09, 2004
Marcilac.
O pessoal da minha sala vivia comentando que eu morava longe demais, no extremo sul de São Paulo e brincadeirinhas do tipo. Aí, não sei porque cargas d'água, um dia eu sonhei com Engenheiro Marcilac. Não, eu não me lembrava de ter visto em nenhum mapa, tanto que acordei intrigadíssima -- onde raios fica este tal de Marcilac, meu Deus?? O sonho era bem bobildo... nonsense, como todos os demais. Sonhei que o Henrique da minha sala tinha que fazer uma reportagem para o São Remo (o jornalzinho que a gente fazia, da comunidade São Remo no Butantã) em Marcilac. Atente para o detalhe de que se trata de uma reportagem de um jornal de uma comunidade no Butantã (zona oeste de São Paulo), e a reportagem deveria ser feita em Marcilac, extremo sul. Ó-quei.
Eu sei que o Henrique veio me pedir indicações sobre como se chega em Marcilac -- quem entenderia melhor do extremo sul do que eu? -- e eu respondia, com a maior desenvoltura, que ele tinha que pegar o trem (aquele famoso Osasco-Jurubatuba que eu costumava pegar). Que depois de Jurubatuba tinha mais algumas estações em Parelheiros, e, por fim, Marcilac.
O sonho acabava aí, com eu descendo em Jurubatuba e me despedindo do Henrique. Aí acordei, contei pro meu pai, e ele, displicentemente enquanto tomava café, como se a coisa não tivesse a menor importância: "mas você sabia que a linha ia até Marcilac antigamente, né?"...
Pois é. Eu sonhei com uma linha de trem que não existia. Pode ser idiota. Coincidências, eu sei, acontecem. Mas eu estou fascinada com este lance de Marcilac desde então. Sonhei depois com o bairro, que eu tinha que (eu, dessa vez) fazer uma reportagem lá, tal.
. . .
Tudo isso é pré-requisito básico para eu contar a minha aventura (bobilda) de sexta-feira. Sexta foi um dia fantástico. Eu descobri que não estava abaixo da média da Cultura, como imaginava, eu arrumei uma matéria ótima pra Aun (falarei com detalhes sobre ela depois), e... e... ó-quei, depois eu também falo disso. Resumindo, o céu estava mais azul, eu nem sentia o cheiro do rio, e eu estava com vontade de abraçar todo mundo. E é nestes momentos que eu percebo o quanto se perde de oportunidades de conhecer gente maravilhosa quando se está megalomaniacamente centrado nos problemas umbilicais. Em apenas meia hora na espera do meu ônibus (só neste apenas meia hora de espera já se nota o meu bom humor) eu tive uma das conversas instantâneas mais interessantes da minha vida.
Era uma senhorinha, aparentando uns 60 e poucos anos, com uma blusa xadrez um pouco gasta, os cabelinhos nervosos tingidamente ruivos presos num coque por um lacinho. Puxou um assunto qualquer, relativo ao caminho do ônibus. Tinha a fala pausada, muito polida... a princípio nem conseguia entender o que ela dizia. Mas engatamos uma conversa muito agradável... até que... "minha tia tem um sítio em Marcilac". Oh-my, Marcilac de novo?? Tive que contar o sonho pra ela, e a conversa ficou ainda mais interessante. Ela me contou que o sítio da tia dela fica bem próximo a ferrovia -- que ainda existe! O trem é só de carga, e leva soja pra Santos. "A soja espirra, depois a minha tia vai lá catar os grãozinhos... tem um monte!". Mas aí chegou outro ônibus, que passava também pelo Itaim, e ela foi embora.
. . .
Your eyes are blue, your kisses too
I never knew what they could do
I can't believe that you're in love with me...
Billie Holiday
11:57 PM
Quarta-feira, Maio 05, 2004
Crise.
Outro dia, faxinando os meus CDs (a célebre faxina que culminou numa doação em massa de alguns nunca d'antes escutados e outros que eu não agüentava mais), eu encontrei uma porção daqueles que marcaram uma época da minha vida e que hoje eu acho bobildos, como a Sheryl Crow, o Bon Jovi, o Aerosmith... mas algumas músicas ficam, não tem como evitar. Se tocar no rádio, ó-b-v-i-o que eu vou escutar até o fim, cantar junto e ficar lembrando as cenas tudo-a-ver com elas.
Hoje eu me lembrei de uma música da Sheryl Crow de que eu gostava muito-muito, If it makes you happy. Lembrei por causa de umas conversas que eu tive, sobre eu ser muito mais animada pessoalmente que no blog, por aquela pessoa que parece tristinha sempre, mesmo quando ri e diz que está contente... "If it makes you happy... then, why the hell do you look so sad?"...
Tanta gente ri pra disfarçar a tristeza, ou ri de nervoso mesmo, ou ri pra não chorar... O Cartola mesmo (sempre ele...) tem uma música com este tema: "Quem me vê sorrindo, pensa que estou alegre... Meu sorriso é por consolação. Porque sei conter para ninguém ver o pranto do meu coração...".
. . .
Eu estou com um problema sério com o meu curso. Tenho ânimo pra pouquíssimas matérias... quando peso se posso ou não faltar em alguma aula, quase todas me parecem irrelevantes. E, o pior: o que me tira mais do sério é a prática. A maldita Agência Universitária de Notícias consegue minar a minha semana de um jeito... eu tô empacada (fiz uma matéria até agora), não tenho a menor vontade de escrever sobre nada daquilo, e começo (hmpf, "começo") a pesar a minha vocação para a profissão. Essa noite eu tive um pesadelo com a agência, com as não-matérias... praticamente uma visão da bronca que o Proença ia me dar hoje.
. . .
Que post terrivelmente mal escrito. Eu sou uma picareta. Até no blog.
10:53 PM
Domingo, Maio 02, 2004
Imitando o Daniel e a Maricota (que, por sua vez, imitou a Gabi).
1. Pegue o livro mais próximo.
2. Abra na página 23.
3. Encontre a quinta frase.
4. Coloque em seu blog o texto desta quinta frase junto com estas instruções.
Como tem uma pilha de livros aqui do meu lado, e eles estão à mesma distância de mim... eu não resisti.
"There is the surface. Now think -- or rather feel, intuit -- what is beyond it, what the reality must be like if it looks this way."
On Photography, Susan Sontag
"Agnan, tout content, est allé s'asseoir au bureau de la maîtresse et le Bouillon est parti."
Le petit Nicolas, Sempé-Goscinny
"Certa vez a Sociedade Americana de Felinos levou dois gatos para a sede das Nações unidas, quando se descobriu que alguns arquivos estavam infestados de ratos."
Fama e Anonimato, Gay Talese
"Diga que venga a pegármelo."
Los funerales de la Mamá Grande, Gabriel García Márquez
"Em 1821, em princípios de maio, estavam David e Luciano ao pé da vidraça que olhava para o saguão, por volta das duas horas, quando os quatro ou cinco operários saíram para jantar."
Ilusões Perdidas, Honoré de Balzac
"Demasiado tarde, siempre, porque aunque hiciéramos tantas veces el amor, la felicidad tenía que ser otra cosa, algo quizá más triste que esta paz y este placer, un aire como de unicornio o isla, una caída interminable en la inmovilidad."
Rayuela, Julio Cortázar
"Entretanto, o que se empreende é, no fundo, uma reflexão que critica tão-somente o modelo teórico da ontoteologia tal qual herdado pelo pensamento filosófico pré-kantiano, e que, ao mesmo tempo, querendo-o ou não, mantém-se dentro dos marcos da ontologia de estirpe atéia, que ele acabou por reelaborar com base no método fenomenológico-existencialista."
Pensar Pulsar, Coletivo NTC
2:24 PM
O que é felicidade pra você?
Só porque já fazia tempo que eu não chorava, ontem fui ver Dois na gangorra (peça com a Giovanna Antonelli e o Murilo Benício), com o Silas e os pais dele. Não, não é o tipo de peça que incita reflexões ou discussões por horas sobre a significação de tal ou tal ato. É o tipo de peça que, quando acaba, todo mundo cala a boca, com um nó desgraçado na garganta.
O amor é triste.
E não venham tentar me convencer do contrário. Não tô dizendo que é triste e não vale a pena -- já falei trocentas vezes que se eu quisesse que lessem minhas entrelinhas, elas seriam linhas. Vale, sim, a pena. Porque é a única coisa que faz sentir que vida é vida, e não aquela coisa inerte e rotineira de casa-trânsito-faculdade-trânsito-trabalho-trânsito-casa. Mas é triste, e é triste pra todo mundo, e todo tipo de amor.
. . .
Sei que isso deve ter soado rabugento e mal-amado, mas, não. É só uma constatação. E quanto antes se constata este tipo de coisa, melhor. Porque aí você já começa sabendo que vai sofrer, que vai chorar, e dá mais valor pros momentos bons. E tenta não brigar por porcaria.
11:42 AM
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