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Quinta-feira, Agosto 26, 2004
histórias mínimas
Minha avó sempre conversa com o passarinho machucadinho que o meu pai cuida na gaiola. Fica um tempão conversando numa língua que ninguém entende. Outro dia, já era de noite e a gaiola tava lá na cozinha. E o passarinho dormindo, todo amontoadinho. Minha vó tentou conversar com ele, e ele nem tchum pra ela. Ela pegou a gaiola e sacodiu. "Agora você me dá atenção", disse. Apagou a luz e saiu da cozinha. O passarinho intrigadíssimo e com a cuequinha borrada -- imagino.
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Estou dando aulas no Redigir com o Guilherme. Temos uma turma ótima, praticamente só de mulheres. Aconteceu que nós inventamos de planejar uma aula de gramática antes da de redação, e ficamos de confirmar por telefone. Ontem eu liguei pra todo mundo (20), e três (3!!!) delas disseram que estavam justamente pensando na gente. Uma outra atendeu o telefone toda tristinha, e quando eu disse que era eu, ela ficou toda feliz. Não há nada, nada neste mundo que pague.
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Sábado eu ampliei umas fotinhos pela primeira vez. Dá um trabalho do cão, mas é uma das coisas mais deliciosas que existem. Fiz uma ampliação de uma foto da minha vó, de que eu gosto bastante (pra pôr na capa do trabalho do Atílio), e uma que eu tirei no passeio fotográfico pela Av. Paulista com o Senac. A da minha avó ficou tortinha, com pouco contraste, mas eu gostei. A outra eu não sei, ficou lá secando no Senac... mas é uma emoção danada saber que eu bati aquela foto, revelei e ampliei: tudo.
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Com as corridas diárias, eu comecei finalmente a emagrecer. Mas isso é o de menos: eu estou recuperando o meu fôlego! Já estou correndo 1km, me sinto me preparando pruma maratona. Hoje não pude ir, mas não vou parar mais, estou addicted.
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O Flávio, aquele moçoilo que me mandou um email sobre as músicas que eu ponho no blog, me deu um livro! É sobre o Vinicius, se chama Garoto de Ipanema e eu tô doida pra ler. É incrível como a vida dá umas pessoas de presente pra gente. E quando eu falo que eu tenho muita, muita sorte pra conhecer gente, não acreditam. Pessoas fantásticas caem no meu colo.
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Hoje, no fim da aula do Redigir, eu e o Gui pusemos o LP (sim, ele levou a vitrola) Fino da fossa dele, e a gente ficou dançando um tempão. Estou voltando aos eixos.
12:40 AM
Quinta-feira, Agosto 19, 2004
Vingança
de Francisco Mattoso e José Maria de Abreu
com Mônica Salmaso
Lá na beira do roçado,
Onde a tristeza não vem
Eu vivia sossegado
Com a viola do meu lado
Mais feliz do que ninguém
Numa festa no arraiá
Vi dois óio a me olhá
Decidi no improviso,
Ela me deu um sorriso
E comigo foi morar
Nunca mais fui cantador
E a viola descansou
Eu vivia pra cabocla,
Eu vivia pra cabocla
Só pensava em meu amor
Nunca fui feliz assim
Eu mesmo disse pra mim,
Pensei que a felicidade,
Pensei que a felicidade
Não pudesse ter um fim
Mas um dia a malvada
Foi-se embora e me esqueceu
Com um caboclo decidido,
Juca Antônio conhecido
Cantador mais do que eu
Já cansado de esperar,
Desisti de procurar
A cabocla que um dia
Levou minha alegria
Eu jurei de me vingar
Numa festa fui cantar
E a mulata tava lá
Juro por Nossa Senhora
Juro por Nossa Senhora
Que a cabocla eu quis matar
Mas fiquei sem respirar
Quando vi ela dançar
Ela tava tão bonita,
Ela tava tão bonita
Que esqueci de me vingar
11:47 PM
É foda quando você gosta de escrever, mas não pode escrever o que gosta. Quando tem vários trabalhos legais para serem feitos, mas os chatos sempre têm prioridade. Quando você encontra a pessoa mais fantástica do mundo, ela se apaixona por você e você por ela, e vocês nunca têm tempo um para o outro. Quando você não pode comer o que gosta pra não engordar. Quando se enfia num casulo e some dos amigos, da família, do namorado, de você mesma. E tem que sumir fazendo de conta que está presente, pra ninguém notar a sua falta. Quando fica tudo tão à flor da pele, que você chora porque o computador deu pau no meio do seu trabalho, com a cara feia das pessoas, com o trânsito, o barulho, a saudade, e até com o horário político. Quando a responsabilidade parece um peso inviável. Quando você vê que tá todo mundo tão impaciente quanto você, e não adianta estressar: este não é o melhor momento. Quando os elogios parecem críticas. Quando até quando você faz algo achando que está ajudando, não adianta.
11:39 PM
Se você encontrar comigo por aí, pode dar um recado?
Me avisa que eu tô me procurando.
11:27 PM
Segunda-feira, Agosto 09, 2004
Ah, vai, eu preciso contar. Minha professora de fotografia falou que o lugar ideal pra conservar a câmera é dentro de uma lata, pra proteger da umidade e dos malditos fungos (que me fizeram gastar R$180). Aí eu me lembrei que a minha mãe tinha uma lata quadrada super legal. Ela é branca, no formato de um cubo (na verdade é um bloco de base retangular) branco, e a face da frente é um porta retrato! Fui encontrar a lata na despensa, cheia de garfinhos de plástico e fitas dentro, bem sujinha. Limpei ela direitinho, passei até vidrex no vidro (vidrex é solução pra tudo, como diria o pai da Tula em Casamento Grego, lembram?) e sequei bem -- essa parte é muito importante. Aí a máquina coube direitinha dentro, ficou linda. Ainda sobrou uns espaços pra pôr filmes e o material de limpeza. E no porta-retrato? Essa foi uma decisão delicada, mas optei por colocar uma foto da minha fotógrafa preferida, a Hildegard Rosenthal (sobre a qual eu estou fazendo um trabalho, como todos já cansaram de ouvir), para servir de inspiração.
Essa foto aqui, ó:

8:59 PM
Como não produzir quase nada num dia livre:
1. Considere-se doente o suficiente pra merecer pausas para chás, leitinhos e breves períodos de descanso;
2. Tenha várias coisas interessantes na sua frente: um livro, fotos, um gravador, CDs;
3. Priorize as besteiras, sempre: vai ser rapidinho;
4. Deixe o telefone (fixo e celular) do lado. Nem precisa ligar pra ninguém;
5. Cheque seu email. De novo. De novo. Pode ser importante;
6. Sempre é um bom momento pra procurar a letra daquela música em francês que você fez download faz tempo. O google tá logo aí;
7. Por que não um post inútil no blog pra fechar com chave de ouro? Só num? Ah, tem o outro!
8:47 PM
Domingo, Agosto 08, 2004
O dia amanheceu feinho hoje. E eu estou resfriada.
Mas não importa, eu estou tão feliz...
Na aldeia
Mônica Salmaso
de Sílvio Caldas, De Chocolat e Carusinho
Na aldeia, na aldeia
Quero ver o seu vestido arrastando-se na areia
Morena, meu doce encanto, pra matar minha saudade
Quero te ver bem distante do boliço da cidade
Quero te ver como dantes alegrando nossa aldeia
Com seu vestido de renda arrastando-se na areia
Na aldeia, na aldeia
Quero ver o seu vestido arrastando-se na areia
Quero te ver bem faceira na porta da capelinha
Escrevendo o nosso nome com a ponta da sombrinha
Quero que a vida nos seja de venturas sempre cheia
Com teu vestido de renda arrastando-se na areia
10:34 AM
Quarta-feira, Agosto 04, 2004
Oscilações incríveis de humor. Estou mais sensível estes últimos dias, para a felicidade e para a tristeza, para a contemplação e para o desalento. Não, não é a TPM, eu não sei o que é. Mas a verdade é que está tudo muito estranho.
Segunda-feira foi a esperada volta às aulas. E eu estava tão - TÃO feliz de ver de novo todo mundo, de sentar na grama em frente à ECA, de abraçar todo mundo o dia inteiro. Acho que foi o Anderson que chegou gritando: "que saudade desse sol ecano"... e é verdade. Parece que aquele sol, com aquele brilho, acolhedor daquele jeito... só lá.
Passei o dia inteiro com o Gui, de quem eu tava doente de saudade, foi ótimo! Mas aí eu cheguei em casa, fiquei um pouquinho no computador... e ficou tarde, e eu fui ler um pouco na cama da minha mãe enquanto todo mundo desocupava o banheiro pra eu poder tomar banho. Nessa hora eu já tava bem triste, não sei por quê. Sei que chorei um pouquinho e acabei dormindo.
Acordei 2h da manhã muito, muito triste. Meus pais dormindo na sala, eu pus eles pra dormir na cama... fui para o banheiro tomar banho e comecei a chorar muito, compulsivamente! E fiquei arrasadamente triste até adormecer de novo. Terça acordei com umas olheiras enormes e... feliz. Vai entender.
Depois lembrei que na primeira vez que fui ver Brilho eterno de uma mente sem lembranças, um pouco antes, tinha acontecido uma coisa parecida. Eu cochilei um pouquinho no meio do filme, e acordei desse jeito. Tudo o que acontecia no filme me dava uma vontade incrível de chorar, e eu ficava perguntando baixinho pro Ivan se ele me amava, como ia ser depois, coisas assim... tadinho, sem entender nada.
. . .
Mas o que eu tô querendo dizer é que são só instantes! Se num momento eu estou encantada com as árvores vermelhas floridas na USP (como elas são lindas meu Deus... alguém mais reparou?), ou com o colorido da Vila Madalena, ou com as fotos dos meus amigos, no outro eu sinto essa tristeza enorme, como se viesse uma nuvem e encobrisse tudo.
E, de resto, eu estou tão animada... hoje eu comecei a correr com uma galera da minha sala no Cepê de manhã, andei procurando boas optativas no Júpiter (e achei várias), estou empolgada com o Redigir... hmm.
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E hoje eu passei um tempão na biblioteca da FAU vendo livros do Henri Cartier-Bresson com o Silas e com a Paula. Aí eu chego em casa, e meu pai: "Você viu que morreu um fotógrafo hoje? Os caras tavam falando que era o fotógrafo mais importante do mundo..." e eu: "O fotógrafo mais importante do mundo é o Bresson!"... e era. Fui checar na internet, e achei isso aqui. Coincidências.

10:20 PM
Domingo, Agosto 01, 2004
O bom de agora, que eu re-instalei o meu scanner, é que eu posso colocar as fotinhos que eu ando tirando nos quadrinhos aí de cima. Desta vez só tem uma que não fui eu quem tirou (a em que eu apareço, dãhr), foi o Ivan. A minha e a dele são daquele dia que a gente passou a tarde só brincando de fantasiar e maquiar o outro, e tirar foto.
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Minhas aulas recomeçam segunda, finalmente. Eu não agüentava mais tanto tempo em casa. Recebi outro dia o calendário do ano pós-greve: vamos ter continuação do primeiro semestre até setembro, e, depois da semana da pátria, o segundo semestre -- até 22 de janeiro. That's life, anyway. E eu não me queixo, eu não agüento mais ficar em casa.
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Não sei onde minha mãe ouviu falar que, se você der sete voltas ao redor de uma mala, à meia-noite, no ano novo, você vai viajar neste ano. A gente sempre faz isso junto, é muito engraçado... um tropeçando no outro que tropeça na mala... Bom. Ano passado eu não tinha dado as voltas porque estava em Ubatuba no ano novo. Aí meus pais foram pra Portugal e eu fiquei em São Paulo chupando o dedo. Mas este ano eu dei!!! E eu não viajei nem um pouquinho ainda!! Ó-quei, o ano não chegou ao fim, já entendi. Mas você leu que eu vou ter aula até 22 de janeiro?! Hmpf. Superstições, bah.
. . .
That's life
Frank Sinatra
That's life, that's what all the people say
You're ridin' high in April, shot down in May
But I know I'm gonna change that tune
When I'm back on top, back on top in June
I said that's life, and as funny as it may seem
Some people get their kicks stompin' on a dream
But I don't let it, let it get me down
'cause this fine old world, it keeps spinnin' around
I've been a puppet, a pauper, a pirate, a poet, a pawn and a king
I've been up and down and over and out and I know one thing
Each time I find myself flat on my face
I pick myself up and get back in the race
That's life, I tell you I can't deny it
I thought of quitting, baby, but my heart just ain't gonna buy it
And if I didn't think it was worth one single try
I'd jump right on a big bird and then I'd fly
I've been a puppet, a pauper, a pirate, a poet, a pawn and a king
I've been up and down and over and out and I know one thing
Each time I find myself layin' flat on my face
I just pick myself up and get back in the race
That's life, that's life and I can't deny it
Many times I thought of cuttin' out but my heart won't buy it
But if there's nothin' shakin' come this here July
I'm gonna roll myself up in a big ball a-and die
11:22 AM
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