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Terça-feira, Janeiro 30, 2007
Acho que uma vez eu já cheguei a contar aqui que quando eu era pequena eu tentava me imaginar aos 20 e poucos anos, quais amigos teriam se mantido, como seria meu trabalho, como eu me vestiria, tudo. Na verdade, a minha idéia de mim aos 20 e poucos era bem diferente. Eu achava que nessa idade eu já estaria morando sozinha, ou com um namorado, conseguindo me sustentar com o meu trabalho, estável. Ah, e também sempre me imaginava bem magra e com cabelos muito compridos. Quando os 20 anos foram se aproximando, e eu fui vendo que as coisas não estavam saindo bem como eu tinha pensado, no começo eu fiquei preocupada. Imaginava a Paulinha de 6, 7 anos me espiando hoje, com ares de decepção, com talvez uma ou outra surpresa positiva.
Só hoje eu me peguei pensando em outra Paulinha, a dona Paulinha, lá com seus 80 e tantos anos, olhando pra trás. Pensando o que ela ia achar de mim hoje. É incrível só pensar nisso agora, porque no ano passado eu refleti muito sobre a velhice. Fiquei intrigada com o que fazia uma pessoa chegar aos 80 anos saudável, rindo à toa, muito lúcida, e outra, com a mesma idade, quase não conseguir falar, com vergonha das rugas, da gagueira, presa nos tabus e preconceitos. Pensei muito nisso por causa da Hildegard [Rosenthal, a fotógrafa sobre quem eu pesquisei], e a vitalidade com que ela contava sua vida, por causa da serelepe dona Rosinha [a senhorinha sobrevivente de Auschwitz, que entrevistei pruma matéria], e também pelo contato com as velhinhas freqüentadoras de bingos [por causa do documentário]. E um dia, conversando com a minha professora de alemão -- ela, filha da Hilde; ela, que está começando a fazer teatro, entre tantas coisas -- sobre essas reflexões, ela me falou: "Com certeza a velhice é um reflexo da sua vida; não só as condições em que você viveu, mas a maneira como você encarou as coisas. Eu acho que você vai ser uma velhinha bem lúcida e animada, Paula". Eu quase ri na cara dela.
. . .
Eu admiro muito essas velhinhas na hidroginástica, essas que vão em grupinhos ao show do Cauby, essas que saem pros bailes da saudade. Mas eu tendo a crer que eu não vou ser uma delas. Que, do jeito que as coisas vão, se eu chegar à terceira idade, eu vou ser dessas velhinhas rabugentas maldizentes da vida. Claro, essas também têm seu charme, mas não é nem de longe uma boa perspectiva de futuro.
Tenho muita dificuldade em acreditar em mudanças [principalmente nas minhas], mas eu sei que eu não quero ser essa velhinha no futuro. E eu não quero continuar sendo essa velhinha hoje.
1:37 AM
Sábado, Janeiro 20, 2007
O presente mais legal de todos
Essa aí é a minha nova companheira de quarto, que vai dividir a cabeceira com o livro de cabeceira e a garrafinha d'água. O presente mais legal dos últimos tempos! Ela é de prasco azul-calcinha, ela tem alça, ela é portátil, ela tem rádio AM, FM e ondas médias, e ela toca LPs... ela é a Sonata que o papai me deu e eu amei. Preparem seus disquinhos, brotos. Precisamos agendar o bailinho.
3:07 AM
Segunda-feira, Janeiro 08, 2007
Meu 2006 só acabou agora, e o ritual de encerramento foi um cheese-mignon-tártaro. Sabe, todas as calças pelo menos um pouco apertadas. Não é o que eu quero pra mim. Não fiz muitos planos. Primeiro, porque acabo não cumprindo, e me deprimo. Segundo, porque é um daqueles anos em que a realização de uma coisa depende de outra, que depende de outra, e de outra... lá pra março eu vou ter uma idéia (ou não) de como vai ser o resto do ano. Se eu vou me formar em julho ou não, por exemplo. Se eu vou ou não precisar sair de casa. Se eu quero fazer uma segunda graduação ou uma pós. Etc.
Apesar do quase-breu, tenho alguns planos para o entorno. Quero voltar a ser saudável, o que implica comer melhor e praticar um mínimo de exercício. Para ler, além dos muitos livros no aguardo, escolhi uma revista de fruição intelectual e outra de fruição fútil. Ah, e o jornal que vai ser assinado a partir de março também. (O ano já começou? Ah).
E é isso. Nem sei porque eu contei essas coisas. Vocês que vêm aqui já sabiam de tudo isso. Esse blog é um tédio.
1:52 AM
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